sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Fui traído(a) no amor, e agora?

Por Paulo Ghiraldelli Jr*

Fui imaginando que o Jô Soares iria me fazer uma pergunta sobre adultério. Pois, se há uma pergunta que aparece para quem fala ou escreve sobre o amor é essa, a célebre questão da “traição”. Como a conversa não foi por aí, resta agora eu mesmo tocar no assunto, uma vez que, novamente, os leitores – principalmente as leitoras – têm insistido no tema.

Vejam só que eu não escapei de falar a palavra “adultério” como sinônimo de “traição”! Pois é! Não escapei do vocabulário popular. Não há quem não faça isso. É errado? É certo?  Adultério é adultério, traição é traição. Por que tomamos tais palavras como se pudessem ser intercambiáveis? Bem, pela prática comum entre nós de acreditar que a monogamia é uma regra que se torna moral senão por uma coisa: a promessa de que se troco intimidades com uma pessoa, não devo trocar com outra. Ao menos não no mesmo período. O amor completo, que inclui o sexo, implica em troca de intimidades. Fico sabendo dos segredos de meu parceiro ou parceira na cama. Não de todos os segredos, mas de alguns fundamentais. Podem ser importantes, podem ser banais. Mas, não importa, são segredos! E é isso que faz com que o adultério se pareça com a traição. Ir para a cama com outro ou outra é levar o segredo dele ou dela para outro ou outra. É isso, enfim, que machuca.

Ora, quando digo isso, não são poucos os que não entendem e replicam: “ora, posso muito bem ir para a cama de outro ou outra e não dizer nada, não abrir a boca sobre a pessoa oficial, com quem mantenho um relacionamento estável, então, que segredo eu estaria contando?” É exatamente isso que muitos homens e mulheres não entendem, não passamos segredos por contar ou não alguma coisa, entregamos segredos porque o grande segredo é a intimidade, são os suores trocados, as juras de amor, os cheiros, talvez os tais feromônios! Esse momento, essa vivência, forma um campo magnético, um local de segredo.  Criar esse mesmo ambiente com outro é, de certa forma, levar uma parte do parceiro oficial para o convívio com outro. Eis aí o grande drama da dor do traído.

Quer apostar que é isso? Eu explico!

Quando um homem é traído, ele quer saber quem é o outro e não se furta em pedir detalhes. Talvez, mesmo dolorido ao extremo, ele se excite com os detalhes. Ele quer poder formar uma imagem da esposa ou namorada fazendo sexo oral com o outro. Um descuido, e pode até perguntar se ela tomou o sêmem do outro ou não. Não são poucos os homens que se comportam de modo ridículo nessa hora, mesmo sabendo que estão sendo ridículos. As mulheres perguntam outros detalhes, mas também querem saber de pequenas coisas. A mulher traída quer saber, principalmente, no que a outra é melhor que ela – quer saber especificidades do corpo da outra. Quer saber o lugar da traição. Fica com mais raiva, ainda, se descobrir que foi na sua própria cama! Essa conversa entre casais, quando as traições são expostas, nada são senão a busca de confirmação do que é temido: que fluídos foram trocados no amor. Saber disso é, em parte, materializar a intimidade, tentar ver o que da intimidade oferecida para o parceiro ou parceira, que é palpável, que foi parar no corpo do outro ou outra, que serviu de substância para a montagem do novo momento de intimidade, aquele que caracterizou a traição.

Há mulheres que levam isso ao extremo, consideram a efetivamente dolorosa quando seu parceiro não só penetrou a outra, mas trocou longos beijos com ela. Há homens que fazem algo parecido, mas em relação à posição do amor, querem saber se a mulher ficou de quatro para o outro. E, é claro, como já disse, se fez ou não sexo oral. Troca de fluídos é o que importa. Ou melhor dizendo: é o que se teme. Pois nessa troca é que se materializa, se petrifica, se consolida que uma intimidade foi transferida “materialmente” para a construção da outra intimidade. A situação é quase que metafísica, se é que não é mesmo metafísica. Mas, como toda metafísica que se faz fora de época de metafísica, cai-se rapidamente para a busca de um ponto absoluto e indestrutível que precisa ser material. Uma intimidade é revelada para a outra porque fornece material para a outra. Há uma espécie de reificação do amor, ele se torna coisa. Mas há também um fetichismo, de coisa que ele vira, ele passa a ser, logo, uma coisa viva, um monte de fluídos que correram de um lado e que, então, são oferecidos de outro lado.

Troquei fluídos com você. Você levou parte de meu corpo com você. E então, na cama de outro ou outra, você soltou seus fluídos, junto com os meus, para seu novo parceiro ou parceira. É essa estranha sensação que faz com que chamemos o adultério de traição. Você me levou para a cama do outro sem eu saber que eu estava lá. Eu era sua, você me entregou para outra, para uma mulher! Eu era seu, você me entregou para a outro, para um homem! Há aí, também, um outro elemento: a traição também assim se caracteriza porque você me fez homossexual. Você colocou os meus fluídos, trocados com você, no caldo de outros fluídos, material este de gente do mesmo sexo que eu. Sinto-me então realmente traído ou traída.

Há graus para a percepção disso. Caso todos percebessem isso dessa maneira, assim, não seria preciso o filósofo tentar explicar o adultério como traição. Algumas pessoas não conseguirão enxergar essa relação de cunho metafísico. Irão ficar no banal, ou seja, irão dizer assim: “ah, não é nada disso, eu só quero que ele seja meu e não seja de outro, não quero que ele diga para mim que me ama e então ame outra”. Mas, ficar nisso é ficar no banal. Desbanalizar o banal é conseguir olhar para o sexo no adultério, algo tão comum, descrevendo-o com um vocabulário novo. Não tão novo. O vocabulário que escolhi aqui é posto numa formulação nova. Mas, o que eu disse, não é senão o que é possível ouvir nas brigas de casais. Tudo que falei acima é realmente dito. As pessos conversam assim a quatro paredes, perguntam detalhes, querem saber. Elas querem poder reconstruir o sexo na traição não para sofrerem duas vezes e se desencantarem como o parceiro ou parceira que os traiu. Nada disso. Elas querem mesmo é saber como que os fluídos ficaram ao final, como foi a troca no corpo a corpo. Por isso se quer tanto saber sobre o beijo na boca, a troca de salivas, ou o sexo oral. “Você chupou o pau dele, mas engoliu?”

Pode parecer esquisito tudo isso. Mas, quanto mais velho ficamos, mais podemos saber que uma tal situação não nos é estranha. Algumas pessoas mais pudicas podem não ter tido esse comportamento, quando de se colocar em pratos limpos uma traição. Mas, tal comportamento não é incomum. É na linguagem que a briga conduz que é possível colher tudo que é necessário saber para poder ver como é que consideramos o adultério uma traição. Doar nossa intimidade ao outro – é isto que é o trair. E isso que nos faz efetivamente sofrer.

Quando podemos escapar disso, nos certificando que não houve troca de intimidades para além do que podemos suportar, perdoamos a traição. Há a reconciliação. Todavia, o amor é um cristal, o melhor é nunca quebrá-lo. Pois, de fato, não há concerto para quebra de cristal. Um homem inteligente nunca trai a mulher que ele ama e que o ama, pois não haverá volta. Uma relação adúltera é o começo de um relacionamento e o fim de outro. Não tem como. Assim, se alguém ama sua pardeira e a trai, ele não é um “galinhão”, ele é outro tipo de animal, ele é “burro”.  Como não ser burro? Ah, simples: basta que saibamos que não somos monogâmicos por natureza e, sim, por decisão cultural. Poucos de nós sabe disso. Por isso, muitos de nós constroem suas próprias infelicidades.
*Paulo Ghiraldelli Jr, filósofo, escritor e professor da UFRRJ

Fonte: http://ghiraldelli.pro.br/2011/11/01/fui-traidoa-no-amor-e-agora/

quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

A saúde óssea e as dificuldades em repor as perdas de cálcio


Acaba de ser publicado na revista médica "Annals of Internal Medicine" um trabalho que define como ineficientes as plataformas vibratórias como forma de melhorar a massa óssea de mulheres com osteopenia. O dispositivo lembra uma balança, dessas que geralmente temos em casa, com as quais nos pesamos diariamente. A ideia inicial era de que ao nos posicionarmos durante 20 minutos diários em cima de uma delas, a vibração causaria mobilização do mecanismo ósseo que levaria a formação de novas células de osso novo, onde seria posteriormente depositado o cálcio, mineral responsável pela resistência do nosso esqueleto.

A pesquisa avaliou 202 mulheres na menopausa, todas com osteopenia e em uso de suplementos de cálcio e vitamina D. Ao final de 12 meses de uso das tais plataformas, não houve diferença entre as mulheres submetidas ou não às sessões de vibração. Esses resultados demonstraram, conclusivamente, a impossibilidade de mais essa opção terapêutica para o difícil tratamento da perda de massa óssea.

Osteopenia e osteoporose são termos que vem se tornando muito conhecidos, principalmente entre o público feminino, devido à grande freqüência dessas alterações por volta da menopausa. Trata-se de ossos frágeis e propensos a fraturas. Os mecanismos conhecidos como “turnover ósseo” ou seja, a reabsorção de osso velho e a formação de osso novo sofre desaceleração e o resultado final é um menor aporte de cálcio nos ossos,  com desarranjo da microarquitetura óssea,  fragilidade e propensão a fraturas.

Devido às dificuldades no tratamento da osteoporose, o melhor que temos a fazer é prevenir. Para isso, as recomendações são de dieta rica em cálcio,  produção adequada  de vitamina D através da exposição segura aos raios solares e atividade física que predispõe à melhora do “turnover” ósseo e acelera formação óssea.

Quando não há mais como prevenir e a perda do cálcio alcança os níveis de osteoporose, nós  precisamos lançar mão de todas essas recomendações, aliadas à suplementação de cálcio e vitamina D, além dos medicamentos anti reabsortivos. O tratamento é prolongado, oneroso e muitas vezes sujeito a efeitos colaterais que inviabilizam sua manutenção a longo prazo, como seria necessário.

Ao contrário das plataformas vibratórias, as atividades físicas em que pisamos no chão, caminhando ou correndo, assim como os exercícios de musculação, já foram exaustivamente comprovadas como eficientes na prevenção e no tratamento da osteoporose. Aliás, foi daí que surgiu a frustrada idéia de que poderíamos alcançar o mesmo efeito com a passiva utilização das plataformas. 

Fonte: http://comersemculpa.blog.uol.com.br/arch2011-12-01_2011-12-15.html#2011_12-06_20_45_04-142670378-0

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

A reeducação postural global (RPG).


Por Daniela da Costa Maia*

A REEDUCAÇÃO POSTURAL GLOBAL (RPG) é um método revolucionário criado pelo fisioterapeuta francês PHILIPPE EMMANUEL SOUCHARD para a correção de patologias do sistema musculoesquelético. Partindo do sintoma para chegar até a causa de uma dor ou um problema no sistema musculoesquelético, a RPG trata o indivíduo como um todo, porque cada um tem a sua própria resistência à agressão e sua própria maneira de reagir a ela, muitas vezes adotando padrões individuais para evitar uma dor ou um bloqueio. Durante cada sessão, o/a fisioterapeuta utiliza microajustes em alongamento com o paciente em pé, sentado ou deitado. Pode ser indicada, sem limite de idade, para a maioria das patologias, agudas ou crônicas, do sistema musculoesquelético com sintomas (dor, formigamento, tontura) como hérnia de disco, lombalgia, ciática, artrose, hérnia de hiato, azia, cãibras, ombro congelado, joanete, problemas circulatórios, torcicolo, tensão muscular, dor de cabeça; ou sem sintomas, como escoliose, hipercifose dorsal (costas encurvadas), problemas vertebrais, hiperlordose lombar, desvios dos pés e dos joelhos, pé chato, pés cavos.

* M. Sc. Daniela da Costa Maia.  Fisioterapeuta, Mestre em Saúde Ambiente, Especialista em Neurofuncional e Formação no Conceito Bobath. Professora titular de Fisioterapia aplicada a pediatria e Órteses e próteses da Universidades Tiradentes / UNIT.Formação em RPG Original Philippe Souchard. Formação em RPG Avançado em Cervical Philippe Souchard. Formação em Pilates. Fisioterapeuta Rpgista do método Coluna da Casa do Corpo.
Membro da ABRAFIN - Sociedade Brasileira de Fisioterapeutas Neurofuncional.

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

O poder da amizade.

Laços afetivos ajudam a superar o desconforto em uma sociedade cada vez mais individualista e solitária

 Por Maria Consuêlo Passos*


Compartilhar a vida. Eis um grande desafio em tempos de hipervalorização da individualidade e de enfraquecimento dos laços. Enfrentamos uma época de contradições em que, de um lado, vivemos cada vez mais solitários e, de outro, criamos permanentemente novas possibilidades de convivência. Hoje são inquestionáveis os desdobramentos da família e a abertura para diferentes modos de relações amorosas, parentais e filiais. Isso significa que as sociedades mais libertárias acolhem as idiossincrasias das demandas amorosas e sexuais dos seus sujeitos e lhes oferecem oportunidades de procriação.

Além disso, verificamos uma crescente reabilitação das possibilidades de fazer amizades, incentivadas pela variedade de contextos que favorecem o encontro, com distintas finalidades, seja para o lazer, a prática de esportes e da religião ou mesmo na militância em diferentes associações de defesa dos direitos civis e da cidadania. Entretanto, mesmo com o incremento desses espaços de convivência, a vida continua cada vez mais solitária, e as relações, mais efêmeras nos grandes centros urbanos. Tais evidências são reveladas não só nas pesquisas, mas também na clínica, onde os sofrimentos psíquicos advindos da solidão, da violência relacional e das autodestruições continuam em escala ascendente. Por mais que as descobertas técnico-científicas favoreçam a manutenção da vida, continuamos vulneráveis aos perigos do contato humano.

O individualismo e a solidão têm se tornado características muito fortes da vida nas sociedades ocidentais, obrigando os cidadãos a buscar novas experiências que pudessem sustentar o desconforto e o sofrimento advindos dessas imposições sociais. Analisando esse contexto, a amizade seria uma opção às imposições da sociedade e representa uma saída para a fragilidade das relações surgidas com as exigências da modernização que produziram uma vida solitária e ameaçadora. Entretanto, esse aspecto compensatório da amizade não é o que mais interessa ao filósofo Michel Foucault, um estudioso do tema, e sim o seu caráter transgressivo e de resistência, na medida em que este impulsiona a invenção de formas de vida capazes de implementar uma existência libertadora. Afinal, ele via na amizade a possibilidade de transpor as amarras institucionais das relações, de romper com as formas preestabelecidas e criar novas maneiras de estar criativamente com o outro.

Ao tentar decifrar os sentidos da amizade, Foucault imprime à discussão uma dimensão ética por meio da qual os sujeitos são capazes de romper com os padrões de moralidade vigentes e redimensionar sua vida, criando um estilo próprio de existência. Esse estilo poderá ser recriado permanentemente na presença do outro, o que nos permite pensar em uma sociabilidade que foge ao caráter burocrático e institucionalizado, duas facetas execradas pelo pensamento foucaultiano, que pretendia, acima de qualquer coisa, evidenciar dois aspectos: reinventar a vida por meio de suas relações e barrar o poder inerente à dominação de um sujeito sobre o outro.

É preciso reconhecer que algumas dessas evidências trazidas por Foucault se tornaram realidade. Embora a vida solitária e a vulnerabilidade dos laços de afeto venham revelando um efeito nefasto, adoecendo pessoas e levando-as a diferentes tipos de sofrimento psíquico, é necessário reconhecer que nas últimas décadas têm surgido várias formas de convívio: a família vem sendo reinventada, dando lugar a deslocamentos e transformações nas suas funções e papéis. Hoje é possível verificar, por exemplo, fortes laços e amizade em casais que procuram ajuda de outros para uma procriação assistida. É o caso, por exemplo, de dois homens que buscam uma amiga para receber o sêmen de um deles e conceber uma criança. Algumas vezes forma-se aí uma relação consistente, um misto de amizade e de família, fruto de uma operação não só biológica mas também simbólica, já que um dos parceiros se mantém ausente da procriação de uma criança com a qual poderá, mais tarde, constituir uma relação parental. Há ainda duas outras manifestações interessantes de amizade: a trazida por casais que se separam e, ao constituir novas relações amorosas, mantêm os antigos parceiros no rol dos amigos; e as relações amistosas criadas pelos filhos dos diferentes casamentos de seus pais.

Enfim, se de um lado as relações humanas permanecem frágeis, tensas e em muitos sentidos desestimuladas pelo cotidiano massacrante do trabalho e pelas imposições do mundo fragmentado em que vivemos, de outro, elas têm atualmente maior amplitude de possibilidades de criar e recriar experiências, tanto na vida privada como na pública. Além disso, nos últimos anos as sociedades têm se tornado mais libertárias, e, em consequência, os sujeitos adquirem mais recursos para reconhecer e lutar por seus direitos civis. Gilles Lipovetsky talvez tenha razão ao escrever: “Quanto mais frustrante é a sociedade, mais ela promove as condições necessárias para uma reoxigenação da vida

* Maria Consuêlo Passos psicanalista de casal e família, doutora em psicologia social, pesquisadora de temas de família e desenvolvimento humano, docente do programa de pós-graduação em psicologia clínica da Universidade Católica de Pernambuco.

Fonte: http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/amizade.html

sexta-feira, 25 de novembro de 2011

Descubra sete mitos comuns sobre emagrecimento


Comer depois das 18h engorda? Preciso cortar o carboidrato se quiser perder peso? Dieta é mesmo a melhor forma de entrar na calça jeans? Segundo a Fox News, essas e outras questões são dúvidas comuns entre as pessoas que estão em guerra com a balança. A publicação listou sete mitos muito comuns o assunto é perder peso. Confira:

Mito nº 1 - É proibido comer depois das 20h para não acumular gordura 

A verdade: seu corpo não sabe a diferença entre o café da manhã ou o jantar. Por isso, a refeição da noite anterior vai entrar no sistema e ser usada nas atividades da manhã seguinte. Mas fique atento: quando estamos cansados, é comum ingerirmos alimentos calóricos. Se você é desses e não abre mão do lanchinho da noite, deixe opções prontas na geladeira (como frutas cortadas ou legumes semi-cozidos) para saciar a fome sem botar a perder a dieta.

Mito nº 2 - Comer pequenas porções de alimentos acelera o metabolismo 

A verdade: alguns alimentos, incluindo os que contém cafeína, podem fazer o corpo queimar mais calorias. Mas o efeito é pequeno demais para ajudar a perder peso. O que influencia esse processo na verdade é a composição do corpo e o tamanho. Pessoas com maior percentual de massa magra no corpo conseguem queimar mais calorias. Ou seja, invista em modalidades como musculação, pilates e ioga, que estimulam a musculatura do corpo.

Mito nº 3 - Massas fazem você engordar 

A verdade: carboidratos são fonte importante de energia para o corpo. O problema é que as pessoas tendem a comer demais desse alimento junto com outros ingredientes - como molhos e carnes - que contém ainda mais calorias. Pense no macarrão (ou outra massa de sua preferência) como um ingrediente e não a base da receita, misturando com outros alimentos como vegetais e carne magra. Também prefira as opções integrais, que vão manter a fome longe por mais tempo.

Mito nº 4 - Café pode ajudar você a perder peso 

A verdade: o café pode momentaneamente diminuir o apetite, mas não é suficiente para ajudar no emagrecimento. Pior: se você tomar muito da bebida, pode ficar ansioso ter problemas de pressão arterial. Outro problema de exagerar na cafeína é que ela altera o padrão de sono e, cada mais, estudos relacionam a perda de peso com boas noites de descanso. O ideal é manter o consumo (incluindo de chás) em duas xícaras por dia. Se adicionar açúcar ou chocolate, não se esqueça de contabilizar as calorias.

Mito nº 5 - Leite pode ajudar você a perder peso 

A verdade: o cálcio faz bem aos ossos, mas não interfere no acúmulo de gordura no corpo. Na verdade, alguns estudos ligaram o consumo de leite com uma maior ingestão de calorias. Não deixe de consumir laticínios, mas prefira as versões light ou desnatado. Se a ingestão de cálcio for o seu foco, é possível encontrá-lo em vegetais de folha escura (espinafre, brócolis, couve etc.)e produtos enriquecidos com o mineral, como leite de soja e suco de laranja.

Mito nº 6 - Fazer dieta é a melhor forma de emagrecer 

A verdade: a curto prazo, o corpo de fato vai perder peso. No entanto, medidas temporárias causam perdas temporárias, e as chances de engordar novamente são grandes. Por isso, o melhor é fazer uma reeducação alimentar e manter a nova alimentação. O plano funciona melhor se aliado a exercícios físicos, que não apenas ajudam a perder os quilos a mais como também a manter o corpo magro.

Mito nº 7 - Comer proteínas e carboidratos separadamente ajuda a perder peso

A verdade: não existem provas de que comer apenas determinado grupo de alimentos em cada refeição ajuda a emagrecer. Na verdade, unir proteínas com carboidratos integrais (que contém muita fibra) é a melhor maneira de manter o estômago cheio e a fome longe. Apenas saiba escolher: prefira proteínas sem gordura saturada (como carne branca) e carboidratos integrais ou vegetais e frutas. Como demoram mais para serem digeridos, a energia será liberada aos poucos no organismo e a fome vai demorar a bater.


Fonte: http://saude.terra.com.br/noticias/0,,OI5485708-EI16559,00-Descubra+sete+mitos+comuns+sobre+emagrecimento.html#tarticle



terça-feira, 22 de novembro de 2011

Relacionamentos: as projeções. Por Osho.


É um fato conhecido: você não se apaixona por alguém; você não se apaixona pela pessoa real, você se apaixona pela pessoa de sua imaginação. E enquanto vocês não vivem juntos,  e você vê o outro da sua sacada,  ou você o encontra na praia por alguns minutos, ou você segura suas mãos no cinema, você começa a sentir: “Somos feitos um para o outro” .

Mas ninguém é feito um para o outro. Você vai  projetando mais e mais imaginação sobre o outro, inconscientemente. Você cria um certa aura em torno dele e ele cria uma certa aura em torno de você. Tudo parece ser lindo, porque você faz tudo parecer lindo, sonhando, evitando a realidade.  E ambos ficam sonhando, tentando de todas as formas possíveis não perturbar a imaginação do outro.

Assim, a mulher se comporta do jeito que o homem quer que ela se comporte; o homem se comporta do jeito que a mulher quer que ele se comporte. Mas isso só pode durar alguns minutos ou algumas horas no máximo.

Uma vez que vocês se casem e tenham que viver juntos vinte e quatro horas por dia, torna-se uma carga pesada continuar fingindo alguma coisa que você não é.

Preencher a imaginação do homem ou da mulher, por quanto tempo você pode continuar representando? Mas cedo ou mais tarde torna-se um peso e você começa a se vingar. Você começa a destruir toda a imaginação que o homem criou em torno de você, porque você não quer ficar aprisionada nela; você quer se livrar daquilo e ser você mesma.

E a mesma é a situação com o homem: ele quer se livrar e ser ele mesmo. E esse é o conflito entre todos os amantes, em todas as relações.

A realidade é: somos sozinhos, somos estranhos e será muito melhor se aceitarmos a verdade básica de que somos estranhos. Podemos saber o nome um do outro, podemos ter visto o rosto um do outro muitas vezes – isso não importa. Nossos seres estão tão escondidos e tão lá no fundo, que não há como eu poder tocar o ser de alguém, ou possa ver o ser de alguém – e é aí que reside toda a estranheza. Mas não acho que isso seja uma catástrofe; pelo contrário sinto isso como uma benção. Se não fôssemos estranhos seríamos robôs. Nossa estranheza nos dá individualidade, singularidade.

* Osho (1931-1990), filósofo indiano e um dos maiores líderes espirituais de todos os tempos.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Afinal, o que é um diagnóstico?


Por Monica Aiub

"Na interface entre medicina e filosofia, é papel da filosofia questionar os métodos utilizados para a construção dos padrões de diagnósticos, observar até que ponto o olhar do médico não conduz o processo, refletir acerca da singularidade e da plasticidade do funcionamento cerebral, assim como sobre o conceito de mente e suas implicações na compreensão de nossas formas de vida. Da mesma forma que a neurociência provoca a filosofia a rever suas teses, a filosofia possui o papel de provocar a neurociência a rever suas construções, a movimentar-se diante do vivido"

Conforme abordado no artigo “Eu sou um diagnóstico”, um diagnóstico surge muitas vezes como uma questão no consultório de filosofia clínica. “Qual o significado de um diagnóstico recebido?” é a questão proposta pelo leitor, que provoca algumas reflexões aqui expostas.

Para abordar a questão do significado de um diagnóstico, é preciso observar quais os processos traçados para delineá-lo, assim como outras questões que estabelecem interfaces entre filosofia e medicina. 

Iniciando pelo processo de estabelecimento de um diagnóstico, é possível falar em diagnósticos: sindrômico, anatômico ou topográfico, e etiológico. O primeiro, sindrômico, parte da observação de sinais e sintomas. Sintomas são descrições do paciente, e sinais são observações do médico, verificáveis no paciente. Em outras palavras, quando o paciente chega ao consultório e, perguntado pelo médico sobre “o que se passa”, “o que sente”, ele relata suas dores, seu estado.

Há, em seu relato, um conjunto de sintomas que se delineia. Tal conjunto é constituído por descrições em primeira pessoa, acessíveis somente ao paciente, que relatará ao médico seus “estados mentais”: crenças, desejos, ilusões, dores, sentimentos, pensamentos, sonhos, etc. O médico, por sua vez, interpretará os sintomas, juntamente com os sinais observados, a partir dos conhecimentos em medicina sobre as possíveis síndromes. Isto significa que, além de um vasto conhecimento acerca das síndromes em medicina, o médico precisa saber contextualizar e significar os sintomas relatados por seu paciente, e o paciente precisa saber descrever o que sente, algo que nem sempre é fácil.

Os sinais são observados pelo médico, avaliados e interpretados de acordo com os padrões de normalidade, saúde e doença, estabelecidos pelas pesquisas em medicina. Tais observações ocorrem em linguagem de terceira pessoa, ou seja, há critérios objetivos, científicos para tais observações. O diagnóstico sindrômico tem seu primeiro momento na análise dos dados observados nos sinais (linguagem em terceira pessoa) e sintomas(linguagem em primeira pessoa). A partir desses, o médico levanta as hipóteses de diagnóstico e, dependendo do caso, solicita exames para verificar suas hipóteses ou descartar outras possibilidades. 

Em se tratando de questões relativas a transtornos mentais, os sinais observados referem-se a: Aparência e comportamento (Idade aparente; asseio e autocuidado; vestuário ; expressão facial; postura; atividade motora; atitude; relação com o médico), fala e linguagem (fluxo de palavras, compreensão; organização, lógica e coerência; obsessões, divagações, fuga de ideias; associações frouxas, perseveração), afeto (expressão facial; voz; movimentos corporais), conteúdo do pensamento (preocupações; fenômenos psicóticos; distorções da percepção; ideação suicida) e cognição (consciência; atenção; orientação e memória; lastro de conhecimento; cálculos; abstrações; julgamento). 

É interessante observar o quanto é ou não possível avaliar objetivamente os dados descritos acima. É preciso que o médico possua muita habilidade para identificar as sutilezas que diferenciam questões orgânicas de questões contextuais. Obviamente, para estabelecer tais distinções o médico precisaria conhecer os contextos de seu paciente, seu modo de pensar, sentir, agir, suas formas de expressão, a fim de não confundir, por exemplo, tristeza, melancolia e depressão. Precisará, também, solicitar uma série de exames, a fim de analisar suas hipóteses.

Como não há exames laboratoriais para ratificar transtornos mentais, os exames solicitados são, em sua maioria, para descartar outras possibilidades, especialmente aquelas que se refiram a efeitos fisiológicos de uma substância ou a um estado geral de saúde. Passamos, portanto, à segunda fase do diagnóstico: o diagnóstico anatômico ou topográfico. 

Se observarmos as questões relativas a processos cognitivos, apresentadas nos casos de transtornos mentais, os exames comuns são as neuroimagens (tomografias, ressonâncias magnéticas, etc.). Conforme apresentado no artigo “Por que é importante fazer filosofia da neurociência?” (veja aqui),
apesar de, no senso comum, acreditarmos no “mito da transparência”, tal como nos descrevem Ortega e Zorzanelli, “As imagens cerebrais não são fotografias de um cérebro real, mas a reconstituição visual de parâmetros estatísticos e matemáticos e, por isso, são imagens de números e não de cérebros.” (2010: 52).

Uma tomografia é extremamente útil para detectar coágulos, tumores, uma vez que se trata da combinação de vários cortes no corpo em ângulos e níveis diferentes; uma ressonância permite uma imagem tridimensional, mas nenhum exame de neuroimagem consegue captar nossos estados mentais: nossas dores, sentimentos, pensamentos, crenças. Dependemos, ainda, da descrição numa linguagem em primeira pessoa, e de uma interpretação adequada a tal descrição, para coletarmos os dados necessários para uma avaliação. Além disso, os exames solicitados relacionam-se diretamente às hipóteses do médico, advindas de um diagnóstico sindrômico, o que implica na possibilidade de outras hipóteses serem negligenciadas se ocorrer uma interpretação inicial equivocada, ou ausência de dados que indiquem tais hipóteses. 

O terceiro momento do processo é o diagnóstico etiológico, ou seja, a causa. Se há a hipótese de um hipotireoidismo gerando sintomas que poderiam se confundir com depressão, por exemplo, um exame de sangue poderá confirmar ou descartar a hipótese. Uma vez confirmada, conhecemos a causa daqueles sinais e sintomas e, consequentemente, as formas de tratamento.

No caso de transtornos mentais, não há como estabelecer diagnósticos etiológicos. Temos hipóteses sobre possíveis causas, como por exemplo, a hipótese dopaminérgica para a esquizofrenia, mas não temos causas definitivamente comprovadas. 

Todo esse discurso não tem por objetivo desvalorizar a prática médica. Ao contrário, o trabalho de um médico é de extrema importância, e os métodos utilizados para definir diagnósticos, prognósticos e tratamentos são métodos construídos com base em pesquisas desenvolvidas com bastante seriedade. Contudo, é importante lembrar que as conclusões de tais pesquisas são conclusões prováveis; que um exame é realizado por amostragem, por cálculos estatísticos e matemáticos, e que o conhecimento que possuímos acerca dos processos que constituem nosso organismo ainda é muito pequeno para zerarmos a margem de erro. 

Quando trabalhamos com questões que envolvem transtornos mentais, a situação é muito mais complexa, pois sequer conseguimos definir o que é um estado mental. Seria ele um estado cerebral? O que estaria gerando tal estado? Que interações orgânicas poderiam alterar esse estado? Que acesso temos às informações acerca do que ocorre em nossos estados mentais? Ou acerca do que ocorre em nosso cérebro?

Horwitz e Wakefield em “A tristeza perdida”, afirmam: “Argumentamos que, se as pesquisas sobre o cérebro não considerarem o contexto em que a tristeza se manifesta, correm o risco de diagnosticar equivocadamente um transtorno depressivo em indivíduos que sofrem de tristeza normal e de fazer de suas amostras uma mistura heterogênea de participantes normais e com transtorno. A tristeza normal, tanto quanto o transtorno depressivo, tem estados cerebrais correlatos e pode incluir sintomas de tristeza intensa. Indivíduos vivenciando tristeza normal podem ter alguns dos mesmos marcadores biológicos que aqueles que têm um transtorno genuíno.” (2010: 208). Mais adiante, no mesmo texto, comentando as críticas do passado que condenavam o uso de medicamentos para lidar com os problemas cotidianos, afirmam: “Hoje, numa grande reviravolta, os critérios diagnósticos baseados em sintomas facilmente transformaram o ‘estresse da vida cotidiana’ em indício de doença. Certamente, há um meio-termo mais sensato.” (2010: 224). 

Na interface entre medicina e filosofia, é papel da filosofia questionar os métodos utilizados para a construção dos padrões de diagnósticos, observar até que ponto o olhar do médico não conduz o processo, refletir acerca da singularidade e da plasticidade do funcionamento cerebral, assim como sobre o conceito de mente e suas implicações na compreensão de nossas formas de vida. Da mesma forma que a neurociência provoca a filosofia a rever suas teses, a filosofia possui o papel de provocar a neurociência a rever suas construções, a movimentar-se diante do vivido. 

Por sua vez, a compreensão do significado de um diagnóstico, no consultório de filosofia clínica, depende do significado atribuído pela pessoa, assim como da gravidade da situação e da existência de uma estrutura de acolhimento e cuidado para aquela pessoa. Obviamente, mais do que acolher e cuidar, a filosofia clínica se propõe a conhecer a pessoa que existe para além de um diagnóstico, auxiliando a encontrar formas possíveis e desejáveis de vida a partir do diagnóstico delineado. Por inúmeras vezes, um diagnóstico significa, bem distante de um fim, a possibilidade de recomeços, em novos formatos. 

Referências Bibliográficas:

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HORWITZ, A; WAKEFIELD, J. A tristeza perdida: Como a psiquiatria transformou a depressão em moda. São Paulo: Summus editorial, 2010. 
LENT, R. Cem bilhões de neurônios? Conceitos Fundamentais de Neurociência. São Paulo: Atheneu, 2010.
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LÓPEZ, M. O processo diagnóstico nas decisões clínicas: Ciência, Arte, Ética. Rio de Janeiro: Revinter, 2001. 
MORAES, A. P. Q. O livro do cérebro, 1: Funções e anatomia. São Paulo: Duetto, 2009. 
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Fonte: http://www2.uol.com.br/vyaestelar/filosofia_clinica_diagnostico.htm